Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

SOCIEDADE - “A ecologia perde o jogo” Ambiente de BH em crise


Últimas palavras de J. B. Libânio em seu artigo no semanário Litúrgico “O Domingo” (21o domingo do Tempo Comum), o título deste texto reflete uma realidade aparentemente dolorosa demais para enxergar até que ponto o mal da ganância está ganhando a batalha contra o ‘bem-ambiente’. E o pior é que lutamos contra nós mesmos, sem mexer uma palha para que não sejamos derrotados por nossas próprias forças devastadoras do meio comum em que vivemos.

Libânio não está, em seu texto, afirmando o fim da ecologia, como pode sugerir uma frase solta no título acima, mas ele, emotivamente, motiva e estimula para que esse “jogo” possa não ser perdido, cabendo a nós, cidadãos de consciência cívica e também cristã, uma atitude de soldados de um exército para os quais o importante é a vida, é dar a vida, e não matá-la.

Nos instantes felizes de senso crítico, a possibilidade de perdermos nossa casa não é remota. Quem não é “feliz” ou não possui “senso crítico” não acordou para o fim da guerra que há muitos anos começou, e está pensando que os problemas são normais e não podem ser resolvidos. Em contraste, uma porção do Reino de Deus que está na terra, luta freneticamente para que a casa sua e de bilhões de seres vivos não seja devastada para o lucro de poucos - minoria que será a princípio beneficiada pelo desastre ambiental, pobres mortais, mas acabará afetada de forma tão intensa que não perceberá a vitória do mal e achará tudo “natural”.

Um jogo desigual
O jogo está sendo jogado. De um lado, pessoas que ainda percebem o mal atacando ferozmente para dominar a “casa” (do grego: eco, oikos), destruindo-a; do outro, gananciosos, usurpadores do bem comum e alheio, humanos como nós, mas desejosos de consumir ao máximo os bens de uma determinada região, pouco se importando com as consequências e desastres naturais que porventura venha sofrer a população local.

O ataque começa quando o deus do dinheiro percebe que existe vida e dela quer tomar proveito, matando-a. Não há, do outro lado, defesa aparente, pois aquele time é muito grande e forte para ser enfrentado. O time é uma empresa muito bem estruturada, financiadora de centenas de empregos, projetos de ‘desenvolvimento’, políticos e tudo mais. Quem se imagina capaz de competir em pé de igualdade com eles?

A batalha é sutil e, quando menos se espera, já terminou, tendo como vitorioso quem deu o primeiro chute, mesmo sem rival algum. O maior de todos os times, que poderia ir de encontro e jogar um jogo justo, seria o Estado. O Poder público, em seus órgãos federais, estaduais e municipais, que deveriam garantir a ordem, o bem de todos e a preservação de nossa casa, quando muito acredita que o “fim justifique os meios”, deixando que o bem imediato e a curto prazo seja mais relevante que o bem perene e a longo prazo. A máquina administrativa está tão corrompida, que não encontra alternativa mais conveniente do que perder para “quem der mais”. A razão (do grego: logia) vai cedendo lugar à “lei” não de quem tem direito, mas de quem é
mais forte.

A voz que brota do coração ecoa. A voz vinda do amor de si e de outros, do mundo e de todos, dos pássaros aos animais rastejantes, dos grandes ipês às pequeninas ervas daninhas silvestres, vai aumentando devido à multiplicidade de corações. Um a um, outro time vai adquirindo corpo, e com estatura ainda pequena, faz-se de Davi contra Golias. Pena que, nesse episódio bíblico, sabemos quem ganhou, mas na vida real o jovem Davi, sozinho, tem mais chance de perder que de sair vitorioso.

A beleza devastada
Capital de um Estado, famosa por suas praças e parques de natureza abundante, BH caminha na contramão da história e de sua vocação ambiental. O “Belo Horizonte” - que de belo tem mais cinza do que antes – ainda com fauna e flora presentes numa cidade urbanizada que serviria de modelo para muitas outras capitais do Brasil, refaz seu horizonte menos azul, pois está cada vez menos verde.

Linda BH, com praças invejáveis, exclui um bairro de seus olhares. Uma área viva como poucas nas grandes cidades, com mais de vinte nascentes de água, biodiversidade ainda latente em uma área aproximada de 300.000m2, está para ser destruída em detrimento de uma construção de mais blocos de concretos que, por mais que sejam capazes de abrigar outras vidas, não levarão em consideração o bem-estar de quem neles irá morar, com a vizinhança drasticamente afetada pela destruição de seu “berço” da vida.

Menos ar puro, mais densidade demográfica, menos espaço de lazer e contemplação da natureza, mais poluição visual, sonora e degradação da terra. Menos pássaros e fontes de água, mais lixo, nascentes enterradas e vidas animais sacrificadas sem dó nem piedade.

Ecos pedem socorro, tentam juntar o povo, para que ninguém saia perdendo e a vitória seja garantida. Enquanto é possível, a comunidade presente nos bairros do Planalto, Campo Alegre, Itapoã etc., em Belo Horizonte, resiste no combate para a preservação da “Mata do Maciel”. É uma luta, batalha, guerra que se restringe a uma comunidade, um bairro, mas tem relevo e adquire proporções universais, pois o problema do meio ambiente afeta a todos, aos vizinhos e à toda a cidade

A vitória na unidade
Ao ouvir pedido de socorro, detentores de vozes se unem. Ao saber do fato, o ato adquire som, o som produz solução e a resposta parte para a ação. A atenção redobra, o idealismo vai dando forma à paixão pela terra. Como um coro ditado pela beleza da unidade por uma causa justa, o belo cântico vai dando o tom da missão de cada ser humano: defender o mais fraco! Na unidade da força, brota a força da vitória! Unamo-nos!

Jornal O Lutador Online
Edição 3709 - 21 a 31 de OUTUBRO
Hugo M. M. Galvão – Estudante da FAJE - hugogalvao@click21.com.br

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