Depois de muita insistência, a Prefeitura de Belo Horizonte se reúne com uma comissão formada por moradores do bairro Planalto, nesta terça-feira (09/11), às 8h30min, na Sede da PBH. A comunidade discutirá com o Secretário Municipal de Assuntos Institucionais, Marcello Abi-Saber a preservação da Mata do Planalto, uma das últimas áreas verdes da região Norte da cidade.
Toda a polêmica surgiu a partir da cobiça da Construtora Rossi que pretende construir no local 16 prédios de 15 andares cada, com o total de 760 apartamentos e 1.016 vagas de garagens, ocupando uma área de 115.140,96m².
De acordo com Magali Ferraz, uma das representantes da comunidade, o Prefeito Márcio Lacerda, apesar de ter prometido a reunião com os moradores, não queria marcar o encontro. “Foi a partir de intervenção do vereador Leonardo Mattos que a reunião foi marcada”, disse.
Magali informou também que na época das eleições, um assessor do Prefeito ligou na sua casa pedindo para que não fizesse manifestação no bairro, pois, na ocasião, o Governador Anastasia iria fazer campanha na região. Em troca ele se comprometia a atender a comunidade. Apesar de não ter havido manifestação, Márcio Lacerda acertou com a Rossi a aprovação da licença prévia do empreendimento e disse que não haveria necessidade de conversar com a comunidade. “Se o Prefeito não sabe o que é ser político e o que é democracia nós vamos mostrar a ele”, afirmou a moradora.
Os moradores do bairro já colheram cerca de oito mil assinaturas em abaixo-assinado e irão entregar ao Secretário. Magali disse também que alguns membros da comunidade estarão na porta da PBH durante a reunião protestando. Dependendo da decisão da prefeitura eles irão fechar a Avenida Afonso Pena, no centro da cidade.
UFMG faz diagnostico do EIA/RIMA
Visto o grande impacto que a Mata poderá sofrer com a possível autorização do empreendimento, o Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais da UFMG (GESTA) realizou um diagnostico em relação ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) apresentado pela Empresa Rossi. De acordo com a analise, o EIA-RIMA apresenta diversos pontos críticos relativos à ausência de avaliações sobre os impactos bem como incoerências metodológicas e emprego de dados defasados. (Confira conclusão do estudo em anexo)
Entenda o caso
Desde março deste ano os moradores do bairro Planalto já fizeram diversas manifestações e audiências públicas. Na última audiência, realizada no dia dois de setembro na Câmara Municipal, o Promotor de Justiça do Ministério Público Estadual de Meio Ambiente, Luciano Badine questiona a legitimidade na condução do processo que autoriza a construção de prédios na Mata do Planalto, pois um dos membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam), que era relator do processo, montou uma empresa de consultoria ambiental e, por isso, desligou-se das atividades ligadas ao Conselho Estadual de Meio Ambiente, mas não o fez no órgão municipal.
Em decorrência disso, o Conselho Municipal de Meio Ambiente cedeu à pressão e adiou a votação da licença prévia.
0 comentários:
Enviar um comentário